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| Foto: divulgação |
A recente operação da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em Parintins foi apresentada como um grande espetáculo de fiscalização. Bombas lacradas, combustível apreendido e manchetes chamativas deram a impressão de que o município estava diante de uma reviravolta no mercado de combustíveis. No entanto, ao olhar mais de perto, o episódio parece muito mais um novo capítulo da disputa pessoal entre o vereador Alex Garcia (PSD) e o empresário Chiquinho Vasconcelos do que uma ação capaz de alterar a realidade dos consumidores.
Segundo a ANP, duas redes de postos
foram autuadas por suposta comercialização de diesel marítimo para abastecimento de
automóveis, prática considerada ilegal, prejudicial aos motores e mais
poluente. Foram lavrados três autos de interdição e apreendidos 3.900 litros do
combustível. Os proprietários dos estabelecimentos, entre eles o empresário Chiquinho Vasconcelos, negaram
irregularidades e afirmaram possuir autorização da própria agência para a venda
do produto, prometendo recorrer da decisão.
Apesar das suspeitas da venda inapropriada
de diesel marítimo, as informações preliminares não apontam irregularidades que
possam impactar diretamente o preço dos combustíveis na cidade. O valor pago
pelos motoristas segue no mesmo patamar desde o início das investigações, o que
reforça a percepção de que a operação, embora necessária do ponto de vista
regulatório, não trouxe efeitos práticos para o bolso da população.
O pano de fundo, portanto, parece
ser menos técnico e mais político. A rusga entre Garcia e Vasconcelos já se
arrasta há meses e, a cada novo episódio, ganha contornos de disputa pública
travestida de defesa do interesse coletivo. A fiscalização da ANP, nesse
contexto, funcionou como cortina de fumaça: desviou a atenção para o espetáculo
das bombas lacradas, mas pouco contribuiu para resolver os problemas
estruturais do setor em Parintins — como preços abusivos, suspeita de cartel e
fraudes volumétricas.
Em outras palavras, a operação
expôs supostas irregularidades pontuais, mas não alterou a lógica do mercado
local. Para os consumidores, o resultado prático foi nulo. Para os
protagonistas da disputa política, mais um palco para alimentar rivalidades.
As investigações continuam e a esperança dos consumidores também.
